As histórias de Fábio, do Cruzeiro, e Casillas, corroboram com a opinião

O quão triste é ver um jogador que dedicou boa parte da vida a um único time, que passou por altos e baixos, criou identificação com a torcida, ser despejado como se fosse um novato? O caso de Fábio, um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro, além de revoltante, é a prova de que a empresa não está nem aí para a história do empregado.

Em texto de despedida publicado nas redes sociais, o jogador conta sobre a saída do clube mineiro: “Com coração apertado, com lágrimas e dor, eu preciso aceitar que não contam comigo no clube”. Não somente um dos melhores jogadores da história do Campeonato Brasileiro, Fábio é o recordista em partidas com a camisa Celeste, 976 ao total e 13 títulos.

Após o Cruzeiro se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e Ronaldo Fenômeno comprar as ações, foram anunciados cortes bruscos, devido às dívidas do clube. O ídolo, sabendo da situação de sua casa, estava disposto a uma redução salarial, que o clube não quis nem ao menor negociar.

Fábio, hoje com 41 anos, chegou ao Cruzeiro em 2005, vindo do Vasco da Gama. Ao longo dos 17 anos em Minas Gerais, o goleiro, além de se tornar o líder da equipe, conquistou um bicampeonato brasileiro (2013 e 2014), três Copas do Brasil (2000, 2017 e 2018) e sete Campeonatos Mineiros.

Não, esse não é um mal brasileiro

Se a saída de Fábio do Cruzeiro já é dolorida para os amantes de futebol do Brasil, imagina a dispensa de Iker Casillas, maior goleiro da história do Real Madrid. Casillas assumiu a titularidade dos madridistas na temporada 1999-2000 e com 19 anos tornou- se o goleiro mais jovem a jogar uma final de UEFA Champions League. Na ocasião, o Real venceu o Valencia por 3 a 0.

Iker chegou a perder a titularidade, mas retomou novamente numa final de Champions League, o adversário dessa vez era o Bayer Leverkusen, da Alemanha. A performance do jovem é uma das maiores em uma final de Liga dos Campeões, e foi nesse momento que ele conquistou, desta vez para não largar mais, a posição um do Madrid.

Foram 25 anos debaixo das traves do Merengues, – contando base e profissional – durante o período, Iker conquistou por cinco vezes consecutivas o prêmio de melhor goleiro do mundo (2008 – 2012) e venceu 18 títulos, entre estes, um tricampeonato da Champions e um pentacampeonato da La Liga.

Em 2015, muito contestado pelas atuações abaixo do nível, o Real anunciou a saída de Casillas para o Porto, de Portugal. O clube fez uma grande festa, para celebrar a carreira do ídolo? Não, apenas uma tímida coletiva de imprensa. A repercussão com a torcida foi negativa e Florentino Pérez, na intenção de reparar o erro, fez uma homenagem justa ao goleiro.

O que as histórias de Fábio e Casillas têm em comum? A ingratidão dos clubes em que eles dedicaram a vida e a prova de que o time não está nem aí para a história do atleta.

Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP

Crédito da foto principal: Fernando Moreno/AGIF

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