Não é fácil se despedir de um ídolo. Lembro-me até hoje, com nove anos, quando meu pai chegou do trabalho e me contou que Thierry Henry, até então meu maior ídolo no esporte, havia acertado sua transferência com o Barcelona. Foi terrível, principalmente para uma criança, que acordava cedo justamente para ver o ídolo jogar pelo Arsenal, meu time do coração. Creio que o sentimento do torcedor das Leoas da Serra seja o mesmo com a saída de Amandinha.

A craque, eleita sete vezes a melhor jogadora de futsal feminino do mundo, jogou sua última partida pelas Leoas no domingo (12), contra a Female, pela final do Campeonato Catarinense. Fez um gol e se despediu com título.

Amandinha, camisa 10, chegou em Lages em 2016, vinda do Barateiro,  para integrar o projeto das Leoas da Serra. Na equipe lageana, conquistou títulos nacionais e internacionais, como a Libertadores da América.

Gente como a gente, me lembro de estar numa aula de redação e o professor Pablo Gomes, que na época trabalhava como assessor de imprensa da Prefeitura de Lages, acompanhou as Leoas na Libertadores. Na volta para o Brasil, ele comentou que mesmo campeã da América, Amandinha escrevia o relatório de estágio no ônibus. Muitas vezes passava pelos corredores da faculdade, despercebida, como se não fosse a melhor jogadora do mundo. Será que isso aconteceria com Falcão? Creio que não.

Por muitas vezes a proximidade nos afasta do ídolo, achando que ele nunca vai se distanciar, vai ficar pra sempre pertinho, nos dando alegrias, títulos e sorrisos. Porém, em post no Instagram, o fim da era Amandinha estava decretado. O destino? Não importa. O que importa? O gigantismo, a história e a representatividade.

Mulheres como Amandinha, Diana, Su Reis deixam um legado para as meninas que sonham em ser jogadores. Lages abraçou o futsal feminino, abraçou as Leoas e abraçou Amandinha.

A camisa 10 das Leoas nunca será a mesma sem seu nome escrito. Obrigado por tudo, você é gigante, sua trajetória é linda e sempre será lembrada.

Foto: Fom Conradi/Leoas da Serra

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