O esporte é apaixonante por ser imprevisível. Diferente de um filme que tem um roteiro, num jogo de futebol, o roteiro é escrito na hora por jogadores, técnicos e torcida.

Cada time tem seus craques, e na final da Libertadores, disputada em Montevidéu, no Uruguai, entre Palmeiras e Flamengo, jogadores de alto nível era o que não faltava. Do lado verde, Dudu, Weverton, Gustavo Gómez e Danilo. Do lado rubro-negro, Gabigol, Bruno Henrique, Arrascaeta e Everton Ribeiro.

No tempo regulamentar, um empate em 1 a 1, o Palmeiras, de Abel Ferreira, saiu na frente com Raphael Veiga, mas o Flamengo, com Gabigol, igualou a partida, que foi para a prorrogação.

Assim como na final da UEFA Champions League de 1999, Deyverson fez as vezes de Solskjaer e saiu do banco para brilhar. A beleza do esporte se dá nos detalhes, nos sinais que um time será campeão.

Deyverson, atacante trombador, rejeitado por parte da torcida palmeirense, ficou de fora dos planos de Vanderlei Luxemburgo e foi repatriado por Abel. Com seu jeito carismático e polêmico dentro de campo por suas simulações, o centroavante viveu um ano em que surfou entre críticas e desesperança.

Além dos teatros em campo, o atleta é conhecido por ser excelente pelo alto e por não desistir de nenhuma jogada. Quem diria que a persistência de Deyverson daria o tricampeonato da Libertadores para o Palmeiras. Em recuo de bola, Andreas Pereira, em posição atípica, era o último defensor flamenguista, ao ver a pressão de Deyverson, Andreas tentou recuar a bola para Diego Alves, mas a chuteira prendeu no gramado e o atacante palmeirense roubou a bola e cara-a-cara com o arqueiro, ajeitou o corpo de bateu, a bola triscou no pé do goleiro e morreu no fundo das redes.

Na comemoração, Deyverson jogou corações à torcida palmeirense, mostrando que mesmo com as críticas, nunca desrespeitou a torcida.

O futebol vive de heróis improváveis. Qual seria a graça se o craque sempre decidisse o jogo! O esporte não tem roteiros, essa é a beleza, esses detalhes que fazem uma partida entrar para a história. Deyverson sempre será lembrado pela torcida do Palmeiras, por seu estilo irreverente, suas caneladas em campo, mas principalmente, por ser o herói que mais representa o torcedor dentro de campo, o louco, o passional, o cara que comeria a grama se fosse necessário e que nunca deixou de correr pelo Palmeiras.

Deyverson, você faz muito bem ao esporte!

Foto: Eitan Abramovich, AFP

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