Nadador consagrado mundialmente fala de seu projeto social e a experiência de morar aqui

Há quase dois anos morando em Itajaí, o nadador e campeão olímpico Cesar Cielo garante que já está adaptado na cidade peixeira. Ele lembra que quando recebeu a proposta de vir pra cá, ficou um pouco receoso, mas assim que chegou aqui as expectativas foram superadas positivamente. “A experiência está sendo muito gostosa. A gente que é de fora, tem a impressão que o Sul é bairrista, que o pessoal gosta só de quem é de lá, mas fomos muito bem recebidos. A cidade nos abraçou e hoje não me vejo, de forma alguma, indo embora daqui, isso nem passa pela minha cabeça, viemos para fica”, revela o nadador.

Cesar Cielo em entrevista ao Paraíso do Improviso. Foto: Greici Siezemel

Casamento que deu certo

Cielo e sua família já estão bem estabelecidos em Itajaí. Eles vieram pra cá em 2019 para que o nadador, que já foi apenas 11x campeão do mundo, pudesse tocar o seu projeto na cidade. Na época, o Instituto Cesar Cielo e o Instituto Nadar, da prefeitura de Itajaí, fizeram um fusão que deu muito certo. “A gente trabalha os dois lados, o social e o competitivo. Sou muito feliz em trabalhar com o Leandro Peixoto, coordenador do Projeto Nadar. A minha parte é desenvolver o trabalho competitivo, para molecada mais jovem, e o Nadar já fazia um trabalho muito grande com todas as faixas etárias voltado para o social e para a atividade física. Quando nos juntamos, foi um casamento muito interessante, porque eu supri o que não tinha antes, um agregou ao outro”, destaca Cielo.

E o projeto já colhe frutos. Esse ano, mesmo com a pandemia, eles conseguiram participar de competições, inclusive tem um menino que participa do projeto que está na Seleção Brasileira de Natação! “No meio de ano voltamos com cinco medalhas do campeonato brasileiro, conquistas de pessoas que aprenderam a nadar no projeto, então é um sistema diferente do que vemos no Brasil, onde o menino se destaca, vai para um clube grande e começa a crescer, aqui estamos fazendo o crescimento de ponta a ponta, desde o início, e tem sido muito legal essa parceria com a prefeitura, que abraçou o nosso projeto”, se orgulha.

Itajaí: topo da natação no Brasil

A ideia é expandir cada vez mais o projeto, fazer a atividade física crescer na cidade. Itajaí já desponta como referência nos esportes aquáticos no Brasil, mas o objetivo do Nadar é ir além: fazer o estado de Santa Catarina ser o mais aquático do país. “Futuramente, quem sabe, a gente não consegue ampliar o Nadar para os outros municípios. Esse formato que temos aqui é tão bem sucedido que o Brasil inteiro precisa conhecer. Somos um laboratório, quem quiser saber como funciona, estamos dispostos a mostrar. É muito legal ver que Itajaí hoje é referência no 3º setor da natação”.

Antes da pandemia, o projeto chegou a atender 5.600 pessoas por semana! Depois, caiu um pouquinho por causa dos regramentos, mas a ideia é, até dezembro de 2022, bater a meta de 10 mil pessoas sendo atendidas por semana. Atualmente o Nadar conta com três núcleos: São Vicente, São João e Ressacada, mas novos bairros devem ser atendidos futuramente.

Um cara humilde que inspira muita gente

Sempre rodeado de crianças, alunos e até fãs adultos, Cielo sabe da responsabilidade que leva consigo. “Eu fico imaginando o que os meus ídolos fariam na situação que eu estou, eu me pergunto isso o tempo inteiro. O que o Gustavo e o Xuxa fariam? Porque eu quero que eles tenham esse mesmo olhar pra mim, que eles vejam que é possível chegar onde eu cheguei. Nunca imaginei conquistar os títulos que conquistei, chegar no auge da carreira.  Eu vejo que hoje o pessoal olha pra mim como uma referência, no fundo é até engraçado, eu só nadei rápido gente (risos)… mas eu espero que daqui alguns anos mais crianças estejam falando isso também”, destaca Cielo.

O nadador lembra que foi estudar nos EUA graças a uma bolsa acadêmica e não gastou um centavo na época, isso quando ainda nem tinha conquistado os títulos que o consagraram. “Precisamos mostrar que não é depois que você vira medalhista olímpico que as coisas acontecem, podem acontecer antes! Por isso temos que aproveitar as oportunidades, essa é a mensagem que eu quero deixar. O esporte é uma ferramenta, ele não deve ser um meio absoluto a sua carreira final… ele vai abrir uma bolsa acadêmica na escola, na universidade, e assim por diante. São muitas as oportunidades e temos que aproveitar ao máximo”, finaliza.  

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