Estação das flores e cores aumenta casos de alergias respiratórias

Mesmo sendo considerada a estação mais bonita do ano, para quem sofre com alergias respiratórias, a chegada da primavera vem acompanhada de muitos espirros, tosse, coriza, desconforto na garganta e aquela coceira “terrível” no nariz. E para quem possui ainda um histórico de asma, como é o caso da jornalista Rúbia Guedes, a alergia pode causar também falta de ar, sensação de cansaço e de aperto no peito.

“Tenho um histórico na família, pois minha mãe e tia sofrem muito com alergias respiratórias e eu, particularmente, sinto as mudanças de temperatura, em especial neste período da primavera, pois tenho plantas em casa e costumo caminhar por regiões com muitas flores. Além disso, tenho cachorro, o que exige ainda mais cuidados”, conta.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, 30% da população brasileira tem alguma alergia, sendo que 25% das pessoas tem rinite alérgica e 20% tem asma alérgica, afetando, principalmente, crianças e adolescentes. Desta maneira, na primavera, percebe-se um aumento nas consultas médicas, segundo o imunologista e alergista Phelipe dos Santos Souza, professor e membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM.

Segundo o especialista, além da polinização das flores, que contribui muito para a manifestação de doenças respiratórias e alérgicas, temos nesta estação do ano uma mudança de clima bastante significativa, saindo do inverno (geralmente frio e mais seco) e entrando num período mais quente, úmido e com chuvas.

“Esta variação climática tende a impactar de maneira importante nos sintomas respiratórios e no controle das doenças alérgicas de alguns indivíduos, principalmente naqueles com rinite alérgica e asma. Essa descompensação pode ser grave, com manifestações de rinite, de asma e alergias que podem durar semanas até ser feito o controle eficaz com medicamento adequado”.

Prevenção

Ainda de acordo com o alergista Phelipe dos Santos Souza, neste período de pandemia, muitos pacientes com doenças alérgicas procuraram os consultórios preocupados com a possiblidade de que sintomas como asma e rinite fossem quadros de Covid-19. A explicação que o médico dá ao paciente é de que a Covid tem uma variação muito grande de sintomas, como dor de cabeça, dor no corpo, sensação febril, falta de ar e mal estar, que pode estar relacionada ao contato com alguém doente ou algum ambiente propício. Já as doenças alérgicas, são acompanhadas de relatos de repetição das crises há anos e não apresentam febre ou mal estar relevante.

Para prevenir as alergias da primavera, a melhor maneira é fazer uma higienização adequada dos ambientes e dos espaços que se frequenta, além de menos exposição ao desencadeante, com  poeira, pelo de animal, mofo ou pólen de flores e até dos poluentes. Caso necessite de tratamento, que seja com acompanhamento adequado, não necessariamente com uso frequente de medicação, mas que evite crises de rinite ou de asma. Outra forma de prevenção é o uso de máscaras.

“A utilização de máscaras de proteção individual, um hábito necessariamente adquirido contra a COVID 19, é um fator protetor para indivíduos que tem alergia e manifestações respiratórias, tanto ao pólen quanto a outros fatores ou poluição ambiental. A máscara de proteção individual nos deixa menos expostos e, assim, menos suscetíveis às crises relacionadas ao sistema respiratória”, explica o médico.

E como melhorar a nossa imunidade e prevenir as crises alérgicas?

É necessário que tenhamos alguns compromissos com a nossa saúde, desde manter um bom sono, praticar atividades físicas, manter uma boa alimentação, uma boa ingestão de água e tentar não se expor ao estresse. Isso traduz, de uma maneira geral, a uma vida saudável, com melhora no nosso sistema imunológico.

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