No dia 1º de Maio de 1956 a vacina Salk foi oficialmente disponibilizada para população

Nunca se falou tanto em vacinação como agora. As discussões acerca das vacinas contra o coronavírus despertam interesse e curiosidade de saber em que momentos da história as vacinas roubaram a cena e foram grandes aliadas na erradicação de doenças.

Um exemplo é a vacina contra a poliomielite, desenvolvida há mais de 60 anos, que foi capaz de eliminar a doença em grande parte do mundo. Ela foi responsável por livrar crianças da paralisia infantil. Vamos de história sobre essa vacina então?

Há 65 anos, a vacina Salk estava sendo disponibilizada à população para combater a doença de Heine-Medin, que até hoje é endêmica em regiões como o sul da Ásia, e até recentemente, da África sub-saariana.

Mas o que é essa doença de Heine-Medin e a vacina Salk?

Essa doença está presente na nossa história há pelo menos 3 mil anos, onde já se tinha registro de casos no Egito Antigo. Mas foi apenas com os estudos feitos pelos médicos Jacob Heine e Karl Medin na segunda metade do século XIX – em suas homenagens foi chamado de Doença de Heine-Medin – que se soube mais sobre a doença e como ela era transmissível.

A doença ganharia um nome mais popular posteriormente, a Paralisia Infantil, pelo número consideravelmente superior de infectados serem crianças, ou Poliomielite (o nome Poliomielite foi dado por se referir especificamente à inflamação da massa cinzenta da medula espinhal).

Ela é causada por um vírus que se aloja no sistema gastrointestinal, especificamente no intestino. Ele permanece ali por um tempo de três a 35 dias, chamado de período de incubação (quando o vírus se multiplica utilizando as células humanas). Geralmente, no décimo dia após ter contraído o vírus, o paciente começa a apresentar os primeiros sintomas.

Como ocorre a transmissão?

O método de transmissão dela é principalmente de forma oral-oral ou fecal-oral. Ou seja, tanto o contato com pessoas contaminadas quanto a ingestão de alimentos não tratados podem ser a via de entrada do vírus. Regiões com pouca, ou falta completa, de saneamento básico correm o risco de contaminar um número grande de pessoas, assim como aconteceu no Brasil em 1975, nos Estados Unidos em 1916, ou na África, onde a doença era endêmica e causava milhares de vítimas todos os anos.

Como a porta de entrada no nosso corpo acaba sendo a boca e nariz, a primeira área a ser afetada é o sistema respiratório, seguido do sistema digestivo e, depois, o vírus atinte os músculos.

Sintomas

Os sintomas se caracterizam principalmente por febre, dor de garganta, náusea, vômito, constipação, dor abdominal, diarreia, perda de força muscular em um dos membros, fraqueza e insuficiência respiratória. A infecção pode agravar e levar o paciente à morte.

Nos anos 50, dois virologistas conseguiram produzir as primeiras vacinas contra a poliomielite. O médico Hilary Koprowski desenvolveu o primeiro modelo de vacina efetiva contra a pólio em 1950, e durante os anos de 1957 e 1960 vacinou mais de 1 milhão de crianças na Polônia.

Nosso outro virologista e médico que também desenvolveu uma vacina para a pólio foi Jonas Salk, em 1953.Ele utilizou um composto que usa o vírus inativado para promover a criação de anticorpos e assim imunizar. Essa vacina ainda é produzida, sendo a principal fonte da luta contra a Poliomielite.

Nos meses que se seguiram, ele fez testes clínicos usando a vacina e placebo, e em abril do ano de 1955 foi comprovado que a vacina era segura e eficaz. Quase 3 anos após sua descoberta, a produção e a distribuição já estavam no estágio inicial para começar a imunização da população. No dia 1º de Maio de 1956 foi oficialmente disponibilizada a vacina Salk para a população.

Erradicação da doença

Nos anos 80, a Organização Mundial da Saúde (OMS) liderou um esforço global para a erradicação da pólio no mundo. O Brasil teve seu último caso registrado em 1989, mas apenas em 1994 obteve o certificado de erradicação da doença.

Nesse último ano de 2020, embora um tanto conturbado, em 25 de agosto, a OMS declarou oficialmente erradicado a Poliomielite do continente africano. Isso se deu após quatro anos da última infecção causada por poliovírus selvagem, em 2016 na Nigéria. A cepa que circula no continente africano não é a selvagem, mas sim uma variante causada por prováveis agentes ativos em vacinas. “Devemos ficar vigilantes e manter as taxas de vacinação para evitar o ressurgimento do poliovírus selvagem e enfrentar a ameaça que ainda há da poliomielite derivada da vacina” disse o Dr. Matshidiso Moeti, Diretor Regional da OMS para a África.

*Texto enviado pelo leitor Fagner Enna

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Referências:

Acosta, M. I; Aguilera Casco, M.; Rolón Arambulo, R. Aspectos epidemiologicos sobre la poliomienlitis y su prevención por medio de las vacunas. Med. Actual; 2(1): 43-49, 2001.

AFRICA ERADICATES WILD POLIOVIRUS. Word Health Organization: Regional Officer for Africa, Brazzaville, 25 de agosto de 2020. Disponível em: <https://www.afro.who.int/news/africa-eradicates-wild-poliovirus>. Acesso em 03 de Nov. de 2020.

FOLHA INFORMATIVA POLIOMIELITE. Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). Janeiro de 2019. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5735:folha-informativa-poliomielite&Itemid=820#:~:text=Uma%20em%20cada%20200%20infec%C3%A7%C3%B5es,29%20casos%20notificados%20em%202018.>. Acesso em: 03 de Nov. de 2020

POLIOMIELITE (paralisia infantil). Ministério da Saúde. Brasília, 29 de Nov. de 2018. Seção: Dicas em saúde. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2854-poliomielite-paralisia-infantil#:~:text=A%20poliomielite%2C%20tamb%C3%A9m%20chamada%20de,e%20provocar%20ou%20n%C3%A3o%20paralisia>. Acesso em: 04 de Nov. de 2020.

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