Sempre fui muito apegada a minha família, principalmente com a minha mãe. Na nossa casa, as datas comemorativas do ano nunca passaram em branco, despercebidas. Minha mãe costumava me acordar com muitos beijos e abraços na Páscoa, no Natal e no meu aniversário, claro. Nunca faltou afeto e amo. Também não faltou família reunida. Eu acredito que a minha maior sorte foi ter nascido em uma família tão unida. Meus tios e tias maternos são como pais e mães pra mim, sei que posso contar com eles pra tudo. Antes, quando meus avós ainda eram vivos, costumávamos nos reunir todo fim de ano pra passar a virada juntos. Era uma primaiada que vou te contar! Nossa família é de origem humilde, de trabalhadores que venceram na vida e isso também me faz sentir orgulho. Tudo sempre foi muito simples, mas com amor de sobra. Nesses últimos anos os encontros da virada têm se tornado menos frequentes, afinal, cada um foi criando a sua própria família. Mesmo assim, sempre que tem um feriado, costumamos nos visitar. Como minha mãe é a irmã mais velha e mora no sítio, meus tios costumam ir pra lá curtir os feriados do ano. É lógico que de uma no pra cá isso não está acontecendo e graças a Deus tenho uma família consciente que respeita o isolamento social. Mas o que eu queria dizer é que eu sou a “peça perdida” da família aqui em Santa Catarina.

Quando cheguei no estado, há cerca de quatro anos, sabia que o desafio seria gigantesco. Os mais de 700km me impediriam de estar em casa em todas as datas especiais, ainda mais que minha profissão de jornalista não tem muito essa de feriados. Mas fui levando de boa, a saída encontrada para driblar a saudade eram as vindas da minha mãe. Volta e meia ela fazia a mala e vinha pra cá me ver, passava semanas, e isso amenizava a situação, era maravilhoso. Aí você já sabe. Veio a pandemia e tudo ficou mais difícil…

Ano passado, quando o vírus chegou em Santa Catarina, eu imaginava que logo tudo voltaria ao normal. Hoje eu percebo que não saber que esse caos se estenderia tanto tempo foi menos pior do que se eu soubesse que a pandemia levaria mais de um ano para acabar. Porque se eu imaginasse que um ano depois passaria mais uma Páscoa sozinha, sem minha família, teria sido mais desesperador e angustiante. A esperança em dias melhores mantinha a minha fé e minha sanidade mental. Bom, mas o fato é que passei, nesse tempo, pelo menos 10 datas importantes longe das pessoas que eu mais amo. Entre elas eu posso citar: Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal, Ano Novo, aniversário da minha mãe e por aí vai. Diferente dos anos anteriores, não foram uma ou duas datas longe. Foram praticamente todas! A exceção foi o meu aniversário, que coincidiu com as férias curtas. E mesmo assim eu tava tão paranoica com a pandemia (ainda bem) que fiz um teste do coronavírus antes de ir pra casa. Porque nesse momento, o que MAIS IMPORTA pra mim é a segurança da minha família. Então não me venham com essa de que estão se reunindo nas datas comemorativas porque não conseguem ficar longe. Eu já estou longe há UM ANO, poxa! Assim como muitos amigos e conhecidos. Sei que cada um de nós lida de um jeito diferente com o emocional, mas acredito que prova de amor, nesses tempos, é permanecer distante.

Enfim, me preparo para a segunda Páscoa sem a presença da minha família. É triste? Um pouco (por favor sem sentimentos de pena). Mas assim que a tristeza vem, o sentimento de gratidão invade meu coração, pois minha família estar bem é maior do que qualquer coisa, e eu posso lidar com essa “solidão” temporária. Então os próximos dias serão, mais uma vez, de isolamento, eu e Luninha (minha dog), que tem sido minha família e parceira nesse ano difícil. Ah, antes de encerrar, falei com minha mãe há pouco e fiquei MUITO feliz em saber que daqui uns dias ela vai tomar a vacina contra o coronavírus. Esse será o maior presente de Páscoa, minha mamis imunizadinha. Sinto que tá chegando perto o dia da gente se reencontrar. Obrigada por terem lido o texto até aqui, reflitam sobre a nossa responsabilidade, pois a vida de quem amamos não tem preço! Feliz Páscoa leitores queridos, beijos meus e lambeijos da Lunis.

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