“Quem bom, ele chegou” – dizem os personagens que terão suas queixas ouvidas ou suas belas histórias contadas.

“De novo aqui? Não larga do meu pé” – (pensam, não dizem) alguns políticos, gestores e todos os que estão sendo cobrados.

É, ser repórter tem de tudo um pouco. A maioria gosta da nossa visita, mas existem aqueles que não. Faz parte. Em certos momentos somos ovacionados, em outros até criticados. Em todos somos ouvidos, ou melhor, somos porta-vozes. Mensageiros. A mensagem nem sempre é boa, mas ela precisa ser dita. Talvez ela não vai agradar, principalmente quando toca na ferida. Mas o papel do repórter é esse: dizer sempre a verdade, somos casados com ela, embora alguns nem acreditem.

Pra quem pensa é só glamour, se engana. Aliás, jamais entre na profissão pensando isso, não faz sentido. Tem muito trabalho duro por trás de uma reportagem. É preparo, insistência. Ouvimos muitos “nãos”, nos desanimamos até… estudamos, lemos e ouvimos mais uma vez. Acordamos e saímos correndo na madrugada. Passamos tempo sem dormir, até sem comer quando a situação exige. Sentamos no meio fio da calçada pra organizar as ideias. Não temos todo aquele tempo do mundo. É corrida contra o relógio, adrenalina na veia, nos acostumamos a pensar rápido e agir também. Temos que dar um jeito para que a reportagem aconteça, só depende de nós. Sim, é pressão e mais pressão, mas a gente vicia nessa adrenalina. Estamos em casa, mas pensamos no trabalho. Vamos jantar fora, ou à praia, e, de repente, olhamos pro lado e enxergamos o que? Uma pauta! É automático, o botão pra desligar veio com defeito de fabricação. Não funciona mesmo. É que, na verdade, todas as histórias merecem ser contadas. E essa é a essência do nosso trabalho, contar boas histórias. Afinal, quem não gosta de se identificar ou se inspirar na vida de outra pessoa?

Temos nossos apetrechos de guerra. Calma, não são armas nem palavras de ódio! É o bloquinho de notas, o microfone, a câmera, o gravador. Tão sempre junto da gente. E é claro que ninguém vai a guerra sozinho. Temos nossos parceiros, na maioria das vezes é um só: o cinegrafista, que nos ajuda a vencer a batalha diária. Uma de cada vez.

Também temos algumas coisas em comum uns com os outros. A maioria de nós é curioso, inquieto, não sossega o facho, como diz minha mãe. Falamos muito, muito mesmo. Desde a época da escola. É que gostamos de estar no meio do povo, interagindo… então pra que escritório melhor que a rua? É ela que nos ensina, que nos dá bagagem.

Você que não é da área deve estar pensando: mas meu Deus, que vida louca que vocês levam! Sim, é tudo meio doido mesmo. Mas é disso que gostamos. De acordar sem saber como será o dia, do imprevisível, do inesperado. O assunto de hoje não é o mesmo de amanhã, e assim sucessivamente. Não sabemos de tudo, mas temos a oportunidade de aprender um pouco sobre todas as coisas. Isso é fantástico. Ser repórter é fantástico. Só é quem ama. E eu amo ser o que sou. Feliz dia pra nós!

Greici Siezemel 16/02/21

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