Status… o que é isto que move os humanos a competição e a busca por “curtidas” diárias?

Ouvi, por alto, a palavra de Anitta afirmando estar afastada das redes por ser um ambiente “muito tóxico” nestes últimos tempos. Pudera, basta dar um clique apenas no mecanismo de pesquisa do Instagram para você entender que a rainha das poderosas e eu concordamos em algo, mesmo que eu vá mais além um pouco e deixe de lado a já sabida parte dos “intelectuais de quarto” e “bozós” do dia a dia.

Recentemente, eu fiquei uma semana sem um celular “usável”. Com problemas no meu aparelho antigo, tive de deixar de usá-lo por segurança até a chegada de um novo aparelho. Conseguia manter um contato razoável com o Messenger e o chat do Instagram via PC. Fora isto, as minhas redes ficaram paradas, A BOINA também suspendeu atividades e muitos serviços de natal que tenho na emissora que trabalho ficaram “patinando” por falta do WhatsApp para avisos mais rápidos.

Confesso que fiquei agoniado. Depois que a tecnologia facilita sua comunicação diária, é difícil disfarçar que acabamos meio “escravos” desta forma de transmissão de mensagens ou divulgação de trabalhos: seja para encontrar amigos distantes ou mandar recados aos colegas de trabalho, os apps de comunicação e redes sociais são uma mão na roda. Mas todo bem tem um lado obscuro, e é isso que tenho notado em vezes.

O ser humano tem carência de atenção, ainda mais quando as redes o instigam a tanto. Quem nunca sentiu “algo estranho” ao ver uma série de imagens e posts “alegres” de amigos nas redes não é uma pessoa normal. E não adianta dizer que é “indiferente” a isto. No fundo, bem no fundo de tudo, é impossível não sentir algo, não se deixar levar pelas roladas das redes e ter diversas reações com o que está postado lá.

E nessa onda conectiva, as redes viraram um espelho de muitos de nós, e por vezes, um espelho que retrata uma realidade fora do que realmente somos. O mundo virtual parece permitir ilusões de vida instigando modismos fúteis e pensamentos tóxicos sobre o “ser você mesmo”, como se grande parte dos que ali estão estivesses usando uma máscara bem diferente da que te protege do Covid: a máscara da vaidade, da soberba, da fama ilusória… do status de ser “alguém” entre os alguéns.

E a realidade não deixa ser diferente esta visão. A mídia, os costumes atuais, parecem instigar esta exposição sem freio de muita gente, inclusive de faixas etárias que nem deveriam pensar em celulares e redes sociais nesta idade. Tem duas meninas que me chamaram – negativamente – a atenção nestas pesquisas aleatória que fiz: pela precocidade e pela “adultização” que se colocam nas redes, como se isto fosse o crescer natural delas.

Neste furacão todo de consumismo, belezas inatingíveis, status fúteis e exposição em troca de curtidas e “fama”, fico me perguntando qual é, de fato, a função das redes sociais? Será que para alguma função nobre virão outras cinco fúteis e sem nenhuma utilidade? Será que somos mesmo tão influenciáveis com as imagens de “perfeição” e “consumo” que nos caem nos olhos todos os dias nos fazendo parecer um “nada”? Difícil explicar…

A verdade é que, quando retornei ao convívio das redes, senti a mesma patada do falso status virtual me bater com força, e nessa eu volto também aos que usam das redes para avisar que estão “vivendo” em meio a uma pandemia com consequências mortais, como disse na minha última coluna. É o cume final da busca por exposição e curtidas quando você prega como “vida” nas redes aquilo que, sem cuidados, pode te levar a morte dependendo de sua comorbidade.

Assim, pense muito bem na forma como você se expõe nas redes. Pense mesmo, o seu EU aqui fora não é diferente do EU que vai estar colado em Facebook e Instagram. Seja autêntico, seja você mesmo sem medo dos modismos que o virtual te empurrar. Parece discurso de fraco, mas manter a sua autenticidade diante disso tudo é um desafio constante numa sociedade movida por este imediatismo e futilidade das mídias virtuais, o lado inútil da internet moderna.

É como diz o dito: a vida fora da tela é muito mais colorida. Saia dela, nem tudo que no virtual está é real e a “fake news” se aplica a uma vida de status sem sentido… E se sair da telinha, só não esqueça a máscara, e agora sim, aquela que te protege do Covid.

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