Hoje nós vamos falar sobre uma das habilidades mais importantes para qualquer pessoa que queira usar a voz de forma profissional, seja no campo das artes, como o teatro e a dublagem, seja no campo da informação, como no jornalismo e na locução. Essa habilidade é a comunicação.

Muita gente quando pensa em comunicação faz uma associação de que comunicação é algo que tem a ver com empresas, com vendas, marketing, ou ainda, com a habilidade de pronunciar bem as palavras. De fato a comunicação pode estar dentro de tudo isso. Mas a habilidade de comunicar vai muito além. Ela também é uma ferramenta muito poderosa para a nossa voz. Não importa se você quer trabalhar com locução, reportagem, teatro ou dublagem. Se você quer saber como trabalhar melhor com a sua voz, você precisa saber se comunicar.

Se você for num dicionário buscar o significado da palavra “comunicação” você vai encontrar a seguinte definição:

“Comunicação é a ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta.”

Na verdade, essa definição não está errada, mas ela tem um problema: ela só fala em transmitir e receber uma mensagem, mas ela não fala sobre como criar a mensagem e o que observar para saber se a outra pessoa entendeu o que você disse.

Se pensarmos no trajeto que a mensagem faz, essa definição só define metade do processo, porque ela considera que alguém transmite e recebe a informação, como se a comunicação fosse uma espécie de “ping-pong da fala”. Mas acontece que “falar” e “comunicar” são duas coisas diferentes. Parece estranho quando você pensa nisso pela primeira vez, então vamos imaginar uma situação para que isso possa ficar mais claro.

Vamos supor que você esteja andando pela rua, como você faz normalmente. De repente, uma pessoa se aproxima de você e começa a falar na sua direção em um idioma que você não conhece ou não tem familiaridade. Vamos supor que seja japonês. A menos que você saiba falar japonês, você não irá compreender o que essa pessoa fala nem o que ela escreve. E para evitar que você pense em usar gestos ou fazer mímica, vamos considerar que essa pessoa é cega. Suas únicas ferramentas para tentar uma comunicação agora são a voz e a audição, ou seja, alguém deve falar e alguém deve ouvir. O que você faz?

Pois bem, essa é uma situação bem específica para que você consiga imaginar um cenário onde existe fala, mas não existe comunicação. É óbvio que você e a outra pessoa sabem falar, mas vocês não sabem como fazer para que a mensagem de um seja entendida pelo outro.

Isso acontece mais do que você imagina, e não é preciso que seja com alguém que fale outra língua. Com certeza você já passou por isso dentro do nosso próprio idioma. Basta pensar em algum professor que você teve durante a sua vida. Aquele que falava a aula inteira e você não entendia nada.

Para você aquele monte de palavras que saiam da boca dele eram simplesmente um grande vazio e você não via a hora de acabar. O que acontece neste caso é que esse professor só pensou em o que ele queria falar para os alunos e não em como ele poderia falar para que aquela informação fizesse sentido.

Para te ajudar a praticar as suas habilidades de comunicação, eu separei hoje três dicas que você pode começar a pôr em prática.

1ª dica: Falar bem não é falar como um livro, você precisa pensar no vocabulário do seu ouvinte.

Pensar no vocabulário do seu ouvinte é saber que tipo de palavras que ele usa e tentar usar essas palavras para construir a sua mensagem. Crianças têm um vocabulário diferente de adolescentes. Adolescentes têm um vocabulário diferente de um adulto, e assim por diante. Existem, sim, situações onde você pode usar um vocabulário mais rebuscado, porque o ouvinte conhece esse vocabulário. Agora, se o ouvinte não entende, usar um monte de palavras rebuscadas só vai servir para fazer um carinho no seu ego, fazendo você se sentir mais inteligente ou mais importante, por exemplo.

2ª dica: Grave leituras em voz alta.

Ler em voz alta vai te ajudar a perceber quais palavras que soam bem na fala. Aos poucos você vai começar a perceber as diferenças entre falar e escrever. Esse é o primeiro ponto. O segundo, é você gravar as suas leituras para que você possa ouvir depois e analisar se ficou bom ou não.
― “ahhh, mas eu não gosto de ouvir as minha voz na gravação porque a
minha voz fica feia e parece que eu estou resmungando”.
Se nem você se aguenta, imagine quem você quer que te ouça!

É fazendo esse tipo de treino que você vai conseguir identificar os pontos que você precisa melhorar na sua comunicação para gerar conexão com o seu ouvinte. A palavra que melhor descreve o objetivo da comunicação é conexão. Quando não tem conexão, você não consegue fazer a sua mensagem chegar até a outra pessoa.

3ª dica: Experimente mudar o seu tom de voz durante a leitura.

A mensagem só vai chegar na outra pessoa se você pensar em como você vai entregar essa mensagem para o outro. Do contrário, você pode saber fazer todos os tipos de vozes que existem ou ter a voz mais linda do mundo, e ainda sim ter uma comunicação ruim. Quando você fala com uma voz sempre no mesmo tom, sem mudar, sem dar ênfase nos pontos que precisam, se torna uma fala monótona e você perde a conexão a outra
pessoa.

Variar o tom e o ritmo de voz é importante para que deixe claro para quem ouve, que uma pergunta é uma pergunta; que uma afirmação é uma afirmação; uma piada é uma piada; e assim por diante.

Qual você acha que é a sua maior dificuldade com a comunicação?

Deixe a sua resposta aqui embaixo nos comentários e, claro, compartilhe essa postagem com seus amigos, para que eles também possam melhorar suas habilidades de comunicação.

Comentários