Sim, os olhos são a janela da alma. Através deles, muito do que sentimos e somos: energias, amores, paixões, temores, medos, luzes.

Dizem que os olhos são “a janela da alma”. O Pensador afirma que eles também são as “vitrines do coração.” Bela correlação! O poeta assinala que são o “espelho da alma.” Sim, são o espelho da alma e reflexo do caráter. Às vezes, revelam as emoções vividas. Outras, os traços esquisitos de conflitos internos. Desejos ardentes de juventudes sonhadoras. Em certos momentos, eles manifestam realidades enfrentadas em vidas sofridas em busca de sonhos ou anseios inovadores. Em quantas oportunidades os olhos são leitores incansáveis de situações ambíguas ou de poemas encantadores.

                Há olhares profundos, inquisidores. Há olhares inquietos, insatisfeitos, angustiados.  Há aqueles pacíficos e ingênuos. De longe, percebe-se um olhar de malícia ou de paixão. Há olhares repletos de esperança em rostos angelicais. Quando a gente se depara com um olhar vazio ou transbordante de lágrimas o coração se agita. Que dizer de um olhar triste ou cruel? Seriam eles as portas para as mágoas inconfessas?

                Há olhos cansados de ver a mesmice desestimulante, estampada em rostos frios, amargos, estéreis, opacos. Há outros, molhados ou encharcados pela emoção com o sucesso do filho ou de uma conquista de um neto arrojado ou meigo, quase sempre refletido no brilho de um olhar embebido de satisfação.

                Sim, os olhos são a janela da alma. Através deles, muito do que sentimos e somos: energias, amores, paixões, temores, medos, luzes. Ah! As luzes. Fazia tempo que não andava à beira mar, à noite. Ontem, com irmãos e cunhadas, jantando no “Manggiare Felice”, pude contemplar a beleza da orla iluminada, refletindo seus raios de luz nas ondas quebradiças na areia. Que sensação de paz, de gratidão e de encantamento!

                Ao contrário da boca, os olhos nunca conseguem desmentir o coração, embora no poema Espelhos da Alma, a autora Janne Teixeira sintetiza, magistralmente, quando diz que há “Olhos que enxergam com a precisão de um lince. Olhos que cegos, privam-se das cores da vida. Olhos pintados pela sensualidade da amada. Olhos embevecidos pela beleza da poesia lida. Olhos que transcendem o sentido da visão. Olhos que falam mais que mil palavras uma linguagem artística. Olhos que calam e lançam no silêncio os desapontamentos da vida. Olhos que se perdem no desconhecido, diante da escuridão. Olhos que vagam perdidos, na melancolia da minha solidão. Os olhos…nossos olhos…o teu olhar.” 

                Quanta magia reflete um olhar pacífico, principalmente após umas gotas de colírio.

Crônica enviada pelo escritor Cleo J. Ortigara – 05/12/2020

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