Recordo que assim que eu e meu esposo descobrimos que seríamos pais, comecei a sentir um misto de emoções: felicidade, medo e insegurança. Afinal, será que daríamos conta do recado? Lembro que ainda grávida, sempre conversávamos sobre como que seria a criação de nossa filha e que tipo de ser humano ela se tornaria.

De todos os meus papéis hoje: mãe, filha, esposa, professora, coach…. Categoricamente posso afirmar que o que mais me desafia é em ser mãe. Pois é minha responsabilidade de educá-la 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias no ano e com toda a certeza para o resto da vida.

Quem nunca ouviu ou até mesmo disse afirmações sobre comportamentos das crianças do tipo: “ah, se fosse lá em casa! Comigo não se criava!”. Confesso que antes de ter minha filha, falei algumas frases semelhantes. O que acontece é: que unir teoria à prática, nem sempre é tão simples assim!

O ideal é que as crianças viessem com manual ou receita para sua educação. Mas veja só: tenho em casa uma receita de bolo, quando o faço sigo sempre as mesmas medidas e formas de preparado, porém nenhum bolo sai igual ao outro, alguns “dão certo” outros “dão errado”. Se receita fosse a solução de tudo, a lógica é que todos os bolos fossem exatamente iguais, não? Sendo assim, se a receita nem sempre funciona com o bolo, será que com a educação de um filho funcionaria?

O que quero dizer é que todo ser humano é único e singular e nós adultos temos a tendência de querer comparar uns aos outros. Se fulano é assim, por que o meu não é? Ora, cada criança tem seu tempo, vive sob condições e situações diferentes. Nós precisamos encontrar o caminho certo e ideal para nosso filho. Mas como?

Acredito que o primeiro passo é honrar e respeitar a nossa história e a de nossos pais. Por pior que você acredita ter sido sua criação, tenhas em mente que os seus pais fizeram o melhor, nas condições e recursos que tinham na época e naquela situação. Assim como nós hoje, eu acredito que fizemos o nosso melhor para os nossos filhos, dentro das condições que temos, sejam elas emocionais, cognitivas e financeiras. É claro que não podemos, a partir dessa ideia, deixar de nos capacitar para sermos pais melhores em prol do bem-estar das nossas famílias.

Outro ponto a ser analisado é: quais valores minha família acredita e vive? Estes valores estão em harmonia com o convívio em sociedade? Como pais precisamos ensinar nossos filhos alguns valores importantes para vida: respeito, solidariedade, amor ao próximo, ser cooperativo, ter autoconfiança, autonomia, etc.

Acredito que precisamos levar em consideração as quatro necessidades básicas do ser humano para uma educação mais efetiva, que são: ser ouvido na essência; ter o direito de errar; ser amado, respeitado e notado; e por fim, pertencer aos sistemas. Quantas vezes paramos para ouvir nossas crianças? Ouvir gera diálogo, entender o que elas estão sentindo e pensando. E veja bem, entender não significa concordar ou discordar, apenas entender mesmo, se colocar no lugar, ter empatia.

Como lidamos com o erro? O nosso erro e também das crianças. Todos nós em algum momento da vida cometemos erros e precisamos entender que através deles aprendemos, desde que saibamos refletir e ensinar nossos pequenos a refletir sobre seus atos.

Algo que me faz perder o sono ás vezes, é de que maneira o afeto, o carinho e o amor é manifestado em nossas relações. Afeto é primordial. Porém amar também é dizer não e impor limites quando necessário. Para mim um dos melhores ensinamentos que podemos deixar para nossos filhos é de como lidar com suas emoções. Percebo que está faltando gestão e inteligência emocional nas nossas crianças. Não somente nelas, na verdade nós pais precisamos gestar nossas emoções para poder, através do exemplo, auxiliá-las nesse aspecto.

E por fim, precisamos tirar algumas redomas de vidro de nossos pequenos, pois se frustrar, machucar e errar faz parte da jornada da vida. E a nós pais cabe dispor tempo de qualidade aos nossos filhos. O resto? O resto a vida vai encaminhando, entre os erros, reflexões e acertos!

Com carinho, Ana Caroline

Crédito da imagem: Família foto criado por Racool_studio – br.freepik.com

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