Depois do Brava Mix ser anulado pela prefeitura, moradores fazem abaixo-assinado para realizar a feira

O último domingo, dia 04, seria o primeiro da realização do Brava Mix, a Feira de Rua da Praia Brava, promovida pela Associação Comunitária de Moradores da Praia Brava – AC Brava. A ideia era promover um evento com cunho social, principalmente para auxiliar artesãos e pequenos produtores que tiveram seu sustento comprometido por causa da pandemia do coronavírus. A feira gratuita estava marcada para acontecer no primeiro trecho da Avenida Carlos Drumond, sentido praia – Av. Osvaldo Reis, local pouco utilizado para tráfego de veículos, das 9h até as 17h e teria continuidade nos próximos domingos. No total, 36 feirantes haviam se inscrito.

Acontece que os moradores foram surpreendidos na sexta-feira, dia 02, quando a autorização concedida a eles pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Itajaí, para usar a área pública, foi revogada. A justificativa que consta no ofício é que após a autorização, datada em 06/09, foi publicado um novo decreto, no dia 09/09, proibindo a realização de eventos e também que atividades que possam gerar aglomero devem ser evitadas. Esse decreto havia sido foi prorrogado até o dia 07/10.  

Além disso, foi protocolado um pedido de anulação da autorização da feira por parte de um comerciante que se sentiu prejudicado com a interdição da rua. Um abaixo-assinado com 22 assinaturas de pessoas contrárias a realização da feira foi entregue na prefeitura.

Justificativa questionável

Acontece que no mesmo dia, 02/10, a própria prefeitura de Itajaí publicou um novo decreto, atualizando as regras para retomada gradual de atividades. Conforme esse novo decreto:

“Fica autorizada a realização de eventos sociais, respeitando a capacidade de ocupação de 40% do espaço; Consideram-se eventos sociais aqueles restritos a convidados sem cobrança de ingresso, compreendendo casamentos, aniversários, jantares, confraternizações, bodas, formaturas, batizados, festas infantis e afins; Obrigatório o uso de máscara para convidados e trabalhadores, manter o distanciamento mínimo entre as pessoas, realizar a aferição de temperatura corporal na entrada; Cumprir as demais medidas dispostas pela Secretaria de Estado da Saúde na Portaria 710/2020.”

Assim, os moradores e pequenos produtores se sentiram prejudicados e buscam reverter a situação.

“Eles justificam que 22 pessoas são contrárias a feira. Para contrapor isso, a AC Brava disponibilizou aos seus associados (moradores) e a comunidade em geral (visitantes e expositores) a oportunidade de se manifestar e se posicionar quanto a realização da ação Feira de Rua (um tipo de abaixo-assinado). Em menos de 24 h cerca de 400 assinaturas e manifestações foram coletadas comprovando que a realização da Feira de Rua, muito mais do que atender aos desejos dos expositores, vem a atender o desejo dos moradores e da comunidade local”, destaca Daniela Occhialini, presidente da AC Brava”

Daniela ainda destaca que a rua é um espaço público, destinado ao uso comum do povo. “E para finalizar e com base nas minhas experiências pessoais, inclusive como coordenadora da Feira Livre da Praça da Cultura de Balneário Camboriú nos últimos três anos (que se transformou no maior evento cultural de BC, com cerca de 350 mil pessoas por ano visitando a ação) tenho certeza que a feira também serviria como um instrumento de ativação da economia e comércio local”, afirma ela.

Agora, os moradores vão entrar com um mandato de segurança. Nós entramos em contato com o Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Rodrigo Lamim, mas até o fechamento dessa reportagem, não obtivemos resposta.

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