Consumir frutas e verduras em geral é uma das recomendações corriqueiras de médicos, nutricionistas e demais profissionais que monitoram e cuidam da saúde das pessoas. Seja pela quantidade de nutrientes ou pelos mais diversos benefícios ao organismo humano, trata-se de uma forma de manter a saúde em dia e, naturalmente, viver bem. É uma maneira também de manter a “comida de verdade” à mesa, algo primoroso em uma era que a comida pronta ou congelada ganhou muito espaço na rotina corrida das famílias brasileiras.

Em meio a tudo isso, um tema que volta e meia aparece na mídia em geral é a procedência desses alimentos. Você sabe como é produzida a alface que você serve à família? Se o sistema usado é o convencional? Se é hidroponia? E aquele tomate vermelhinho que serve para a salada ou para o tradicional molho que acompanha o macarrão? Enfim, são tantos os vegetais que rotineiramente consumimos que, provavelmente, nem pensamos se eles fazem parte de uma cadeia produtiva regional ou vêm de fora do Estado, por exemplo.

Baseado nisso e para dar mais segurança aos consumidores e aos próprios produtores de alimentos, desde 2018 está em vigência a Instrução Normativa Conjunta nº 2 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Esta é aplicada em todo o território brasileiro e, de maneira gradual, incluirá vários grupos de alimentos até agosto de 2021. Com isso, o consumidor pode ter acesso a informações relacionadas ao manejo adotado na produção de determinado alimento, bem como a todos os defensivos usados durante a safra ou ciclo de produção. É uma maneira de ter transparência nesse processo e gerar uma relação de maior confiança entre produtores e consumidores. Na prática, isso é necessário para a identificação inequívoca do produtor do alimento e também de toda a cadeia produtiva, conforme a Anvisa.

Por mais que muitos dos produtores de alimentos colocam à venda o mesmo alimento que levam à mesa, ou seja, querem para os outros a mesma qualidade que oferecem para os seus, há casos em que os índices de resíduos ultrapassam o que a legislação prevê e isso precisa ser evitado – trata-se de uma questão de saúde pública. Essas normativas existem justamente para poder identificar esses problemas e penalizar quem não segue as boas práticas de manejo que a agronomia prevê.

Mas, tem um aspecto que precisa ser fortalecido nesse processo: o engajamento de todos nesse incentivo ao consumo de alimentos rastreados e, consequentemente, com um padrão de qualidade, livre de resíduos. O próprio consumidor tem um papel fundamental nisso. Na hora de optar pela compra de um produto X ou Y na fruteira ou no supermercado, é importante consultar os códigos QR ou de barras que identificam de onde vem esses alimentos – ou exigir que eles estejam à mostra, disponíveis para consulta. Mais do que isso, ali o consumidor deve conseguir identificar informações como data de colheita, número do lote, entre outras. É assim que, caso algum alimento cause desconforto a quem consome, é possível identificar de onde vem essa alface ou qualquer outro vegetal.

Talvez esteja se perguntando: então é para isso que servem aqueles códigos que aparecem nas embalagens?! É isso mesmo. Prestar mais atenção nisso é essencial para criarmos uma cultura de transparência e seriedade no que se refere aos alimentos vegetais disponíveis no mercado. Sabe-se que muitos vêm de produtores familiares ou mesmo em escala maior que tomam todos os cuidados para cultivar com sanidade e qualidade, mas, as exceções também existem e, por isso, há que ter a legislação para reger isso tudo. Nós, como consumidores, podemos fazer a nossa parte exigindo que os estabelecimentos que vendem esse tipo de alimento também deem preferência para quem tem esses sistemas, que armazena os dados das safras e monitora isso com rigor. Só assim poderemos reconhecer os agricultores sérios e comprometidos, que são muitos, e poder comer com tranquilidade, promovendo o bem-estar da nossa família.

E aí, bora prestar mais atenção a esses detalhes?! Veja quais alimentos já estão inseridos na normativa para identificá-los quando você for às compras!

Alimentos que já precisam ter rastreabilidade desde 2019:

Citros, maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate e pepino

Alimentos que precisam ter rastreabilidade a partir de agosto de 2020:

Melão, morango, coco, goiaba, caqui, mamão, banana, manga, raízes, cenoura, batata-doce, beterraba, cebola, alho, couve, agrião, almeirão, brócolis, chicória, couve-flor, pimentão, abóbora e abobrinha

Alimentos que deverão ser rastreados a partir de agosto de 2021:

Abacate, abacaxi, anonáceas, cacau, cupuaçu, kiwi, maracujá, melancia, romã, açaí, acerola, amora, ameixa, caju, carambola, figo, framboesa, marmelo, nectarina, nêspera, pêssego, pitanga, pera, mirtilo, cará, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha-salsa, nabo, rabanete, batata yacon, couve chinesa, couve de Bruxelas, espinafre, rúcula, alho porró, cebolinha, coentro, manjericão, salsa, erva-doce, alecrim, estragão, manjerona, sálvia, hortelã, orégano, mostarda, acelga, aipo, aspargo, berinjela, chuchu, jiló, maxixe, pimenta, quiabo

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