Os animais foram encontrados com sinais graves de violência

Duas toninhas (Pontoporia blainvillei) juvenis foram encontrados sem vida na praia de Navegantes (SC), na sexta-feira (17). Ambas estavam com marcas no corpo compatíveis com redes de pesca e fortes indicativos de agressão física, entre amputação de nadadeira e hematoma facial.

Segundo o relato da equipe técnica do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) que esteve no local, os golfinhos encalharam recém-mortos.

No exame do primeiro golfinho foi observado um corte linear de bordos lisos amputando totalmente a nadadeira caudal, com sangramento ativo e recente. A avaliação indica que tenha sido feito quando o golfinho ainda estava vivo, provavelmente para removê-lo da rede de pesca.

As características do corte sugerem fortemente que a causa do trauma tenha sido por arma branca. Além da agressão, o golfinho apresentava inúmeras marcas lineares deprimidas na pele nas regiões do rostro (bico), das nadadeiras peitorais, dorsal e caudal.

No exame interno observou-se um líquido espumoso fluindo do parênquima pulmonar. A morte por captura acidental foi confirmada pela equipe veterinária a partir do exame de necropsia.

De acordo com a médica veterinária Tiffany Emmerich, além das marcas na pele, fragmentos de peixes encontrados na cavidade oral indicam que o animal havia se alimentado recentemente, possivelmente na rede onde ocorreu o emalhe.

A segunda toninha também apresentou diversas marcas lineares e profundas na pele de todo o corpo, algumas chegando até a camada de gordura. Isto ocorre devido à pressão causada pela malha fina de rede na pele delicada das toninhas.

Estas lesões, associadas ao edema pulmonar, apontaram morte por insuficiência respiratória aguda, decorrentes do emalhe. Um extenso hematoma na região facial sugere que houve trauma por objeto contundente.

Amostras foram coletadas para análises posteriores, como exame histopatológico e presença de contaminantes ambientais nos tecidos.

Violência já virou sazonal

A captura acidental, a perda de habitat e a poluição são considerados os maiores desafios para a conservação da espécie. Em cinco anos, a Univali registrou a ocorrência de 389 toninhas em praias entre Governador Celso Ramos e Barra Velha (SC).

O segundo semestre de cada ano concentra o maior número de ocorrências, tornando essa uma época importante para que o ordenamento pesqueiro seja incentivado.

Como ajudar?

Ao avistar um animal marinho morto ou debilitado na faixa de areia, acione as equipes do PMP-BS pelo telefone 0800 642 3341. A ligação é gratuita e funciona diariamente das 8h às 17h30. Informe a praia de ocorrência, o município e um ponto de referência.

O PMP-BS é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

Tem como objetivo avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos encontrados mortos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. A Univali monitora o Trecho 4, compreendido entre Barra Velha e Governador Celso Ramos (SC).

Comentários