Você já se perguntou o que acontece na sua cabeça durante uma conversa? Será que você realmente controla o que fala ou tem alguma coisa na sua cabeça que te influencia a agir de certa forma sem você notar? Se você ficou na dúvida ao responder alguma dessas perguntas, não se preocupe, pois, é sobre isso que iremos falar hoje.

● O Cérebro Trino

 Uma teoria criada pelo neurocientista Paul MacLean, nos anos 70, explica que nós desenvolvemos três cérebros ao longo da nossa história. Esses três cérebros são uma divisão do nosso cérebro, e não três cérebros iguais completos ao que nós temos. Essa teoria é muito didática para nós compreendermos a comunicação. Através dela alguns comportamentos e algumas técnicas podem ficar mais claros para nós. Segundo a teoria, todos nós temos um cérebro reptiliano, um cérebro emocional (límbico) e um cérebro racional (neocórtex). Vamos começar pelo mais simples deles:

1º – O Cérebro Reptiliano

Se esse nome te lembra os répteis, você acertou! Esse cérebro é responsável por conservar a vida. É ele quem busca coisas que nos dão prazer, segurança e, principalmente, pelo instinto de lutar ou fugir (fight or flight). Por exemplo, quando você sente medo em um filme de terror, por mais que você saiba que são atores com maquiagem e efeitos visuais, você fica com medo. Esse medo te faz enfrentar ou fugir daquilo que te deixou com medo. Ou seja, algumas pessoas se escondem, ou “fogem”, e outras se defendem com ataques (luta). O cérebro reptiliano apenas age, ele não pensa.

2º – O Cérebro Emocional ou Límbico

 O segundo é o cérebro emocional. Ele é responsável por armazenar as emoções, mas também tem duas funções muito importantes: aprendizagem e memória. Quanto mais intensa é uma emoção, mais detalhes são guardados na nossa memória. Um exemplo:

Pense no seu primeiro beijo

Com certeza você lembra com quem foi, onde foi, quantos anos você tinha e o que você sentiu. Agora, tente fazer o mesmo com o seu segundo beijo… Você até pode lembrar, mas com bem menos detalhes que o primeiro, seguramente. Isso porque as emoções do primeiro beijo foram mais fortes e uma “novidade” para o seu cérebro. Já no segundo beijo, as novidades já não eram tão grandes assim para o seu cérebro e as emoções você já conhecia de certa forma. Por isso, faça uso das emoções quando quiser aprender ou ensinar. Aqui no Paraíso do Improviso já tem uma postagem sobre como você pode aprender a usar as emoções para melhorar a sua Comunicação.

3º – O Cérebro Racional ou Neocórtex

O último deles é o cérebro racional, que é o mais novo de todos eles evolutivamente. É com ele que nós conseguimos raciocinar sobre coisas como a matemática, filosofia, artes, linguagem e assim por diante. Ele é responsável pelo pensamento lógico e pelo abstrato. Com ele a gente consegue criar, analisar e refletir sobre o mundo. É o nível das ideias ou da razão (no sentido filosófico).

● O que isso tem a ver com a Comunicação?

O comportamento dos três cérebros aparecem na nossa comunicação também. Quando você vê uma discussão onde as vozes se alteram (falam berrando), as pessoas levantam suas defesas para se proteger dos ataques e a comunicação deixa de existir. Essa defesa é gerada pelo cérebro reptiliano, que percebe a outra pessoa como uma ameaça.

Já o cérebro emocional aparece na fala daquelas pessoas que são capazes de fazer você mudar o seu estado emocional. É o caso dos palestrantes motivacionais, que conseguem inspirar as pessoas a fazer algo, ou também dos comediantes, como no caso do stand-up comedy, que conseguem fazer você olhar para o dia a dia de uma forma mais alegre.

Cuidado para não confundir emoção com comoção. Sentir uma emoção pode ser sentir nojo, felicidade, tristeza, raiva, surpresa e assim por diante. Já comoção é quando você enche os seus olhos de água por causa de uma situação, ela pode ser feliz ou triste, mas no geral vem acompanhada de lágrimas. A comoção está dentro do campo das emoções e sentimentos, e não o contrário.

Por último, o cérebro racional. Ele aparece na comunicação quando nós usamos argumentos lógicos para defender uma ideia. Essa é aquela situação que faz a gente pensar, que coloca nosso raciocínio para funcionar. Você pode pensar por exemplo em qual é a diferença entre língua, linguagem e fala. Você sabe?

A comunicação pode fazer nos fazer transitar entre os três cérebros. Isso fica evidente quando duas pessoas começam a discutir um tema com o qual não concordam. Enquanto a discussão permanece na troca de argumentos estruturados que justifiquem e indiquem brechas ou a invalidez de um argumento, temos uma comunicação ao nível do cérebro racional. Podemos identificar isso facilmente no campo da Filosofia, por exemplo, onde existe o interesse em se discutir ideias e conceitos (razão humana). Porém, digamos que no meio de uma discussão de ideias, um dos envolvidos lance uma ofensa ao outro (ex: fulano é um bosta). Temos aqui uma transição do cérebro racional para o emocional, pois a ofensa é lançada para atingir o outro à nível emocional. Em outras palavras, fazer a outra pessoa se sentir mal (alteração do estado emocional). É por isso que muitas pessoas dizem que quem ofende perde a “razão”.

Então, agora que você já conhece os três cérebros e o comportamento de cada um deles, é hora de fazer uso desse conhecimento na sua comunicação e observar a presença desses três cérebros nas suas relações do dia a dia. Um exercício e tanto!

E para finalizar, eu gostaria de saber a sua opinião:

Qual desses três cérebros você acha que é o mais importante para uma boa comunicação?

Deixe a sua resposta aqui embaixo nos comentários e compartilhe essa postagem com seus amigos, para que eles também conheçam a influência do nosso cérebro sobre o nosso comportamento comunicativo.

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