Refletir sobre o nosso processo de compra tem tudo a ver com produção e o consumo sustentável de alimentos, inclusive durante esta época de pandemia

A pandemia do novo coronavírus tem abalado as estruturas. Milhares de casos positivos no Brasil e, além da crise sanitária, a repercussão negativa na economia. Enquanto se fala em quarentena e em ficar em casa, há um grupo de pessoas que já estava habituado a um certo “home-office”, que é formado por produtores rurais, agricultores e pecuaristas, que no dia a dia são responsáveis pela produção de alimentos, de commodities e várias matérias-primas usuais no dia a dia da sociedade.

Há também quem diga que este é o setor que está mantendo parte do Brasil “em pé” e que vai fazer com que o país, ali na frente, supere as dificuldades e saia dessa situação de incertezas – na semana passada, em uma live transmitida pelo Instagram, o palestrante Arthur Igreja, que estuda e fala sobre inovação, reforçava essa ideia. Ele não tem sido o único.

No entanto, é crucial que a sociedade tenha consciência de quem nem tudo que é produzido no campo é commodity – como a soja, que em função da cotação do dólar estar em alta tem ultrapassado o valor de R$ 100,00 por saca em alguns portos brasileiros. Há quem coloca na mesa do consumidor alimentos mais rotineiros, como as frutas, legumes e hortaliças em geral, que tem ficado com alguns canais de comercialização limitados e, portanto, com vendas reduzidas.

Para quem está na rotina urbana, na correria do dia a dia, se torna cada vez mais importante valorizar os produtos originários da sua região, município ou Estado. E se você ainda não sabe o que é produzido na sua região, está aí mais uma oportunidade de aprender e, com isso, fazer sua parte como cidadão. Este será, possivelmente, um dos legados da pandemia: revermos nossa forma de vida, nossa forma de consumo, nossa forma de ser neste mundo.

– Nós perdemos várias feiras que deixaram de ser promovidas em função da pandemia. Também temos dificuldades em fazer a entrega direta ao consumidor. O que conseguimos manter com mais normalidade é o fornecimento nos supermercados – diz André Bisolo, produtor rural e dono de uma agroindústria de embutidos.

Outros agricultores, em especial de hortaliças, têm mantido uma comunicação mais direta com os consumidores através de WhatsApp, programando entregas a cada dois dias nas cidades, para manter as vendas. Inclusive, eles têm se adaptado ao uso de máquina de cartão de crédito para evitar o contato com dinheiro em espécie, o que também deixa os consumidores mais seguros em fazer as transações.

Vale lembrar que os produtores rurais do Sul também estão saindo de um momento de pós-estiagem. Desde dezembro de 2019 as chuvas sumiram e a safra de verão foi bastante comprometida.

O que é importante levar em consideração ao fazer as compras na fruteira ou no supermercado que beneficiam o agricultor ou o pecuarista e a economia do seu município ou região:

1 – Não deixe de comprar frutas e verduras. Além de ser importante para a sua alimentação e da sua família, é fundamental para movimentar o setor primário, muito importante para a economia da sua região ou de regiões produtoras.

2 – Não deixe de comprar aquelas hortaliças mais perecíveis, como alface e outras folhosas. Se não quiser comprar isso em um supermercado, tente encontrar um produtor que possa fornecer o produto diretamente para você e sua família, ou até mesmo para a sua rua ou condomínio. Esses agricultores precisam muito “fazer a roda girar” mesmo durante a pandemia.

3 – Se você e sua família apreciam os laticínios, não deixe de comprar o leite ou o queijo. Sabia que esta é uma das cadeias produtivas que mais está sentindo o impacto da retração na economia? O valor dos insumos para a produção do leite aumentou e, apesar de indícios de incremento no valor do produto, nem todas as indústrias conseguiram repassar isso ao pecuarista.

5 – Tente sempre priorizar por frutas e verduras da época. Isso permite que você compre alimentos com valor mais acessível e, ao mesmo tempo, com mais qualidade. Além disso, em tempos em que é preciso manter a imunidade em alta como agora, os citros também estão em maior abundância no campo e nos supermercados e fruteiras.

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