Alda fez 100

Eu fiz 30

Em comum, a data, embora o 18/05, para ela, tenha um significado bem maior.

Alda, uma mulher, e que mulher! Que gigante exemplo de valentia que está na nossa frente. Que vulto este que cruza as ondas hertzianas enchendo de lágrimas os marmanjos e valentinas diante dos seus shacks em dias de transmissão.

Alda, da terra das flores que, sob as bênçãos de Florence e Ana, assistiu uma cidade sucumbir as chamas da guerra, entre o horror da tirania e os lampejos de esperança tão contrastantes diante de seus olhos e mãos.

É uma aventureira que não tem medo de grandes mudanças, não se curva diante de grandes revezes, mesmo quando a vida em si repetia os mesmos bombardeios que inflamaram aquela cidade alemã onde viu o horror. Amores, tristezas, dissabores, e de tudo isso, o microfone, o rádio, as ondas.

Foto: Arquivo Pessoal

Alda é doce, uma alegre feiticeira que, no meio de muitos, fez-se uma dentre eles. Sua voz é capaz de acalantar, mas também de bater o pé em marcha, de pedir socorro. É mais do que um simples DX nos seus dias, ou outro cartão QSL com a bruxinha voando rumo a um novo contato. Tem algo de místico, de mágico ao falar de Alda, daquela que eles chamam de “Vó Alda”.

Vó? Não é um termo que envelhece, Alda? Não… Isto não é só carinho, é experiência. Dos tantos rodeios da vida, entre batalhas e giradas de dial, Alda é Vó por excelência. Vó das frequências, das batalhas e do jardim de hortênsias onde é mais uma flor, vinda da terra das flores.

Alda é Vó, mas a juventude teima, felizmente, em não largá-la. Tantas aventuras vividas, tantos amigos, tantas “tantas coisas” que um baú apenas não serviria de relicário. E nem precisa, pois você está ai, viva, ao sabor dos ventos da vida cravejando o centésimo diamante em seu coração, batendo, sentindo, sorrindo, mais do que só vivendo.

E as reverências dos que sentem em seu nome a história de uma cidade numa de suas mais marcantes personagens são muitas. Quem ouve um Vó Alda no ar já sente o tremer do coração blumenauense, recorda ou busca conhecer tua memória e não te trata com termos no passado, mas sempre no presente. Você é, faz, vive, celebra, anda, fala e transmite.

E fizeste 100. É um número só, a idade para os aventureiros é um mero detalhe. Alda não tem tempo, ela é o tempo. Ela é a onda, aquela onda misturada entre Marconi e Landell que teima em sair do ar. E que continue esta feiticeira teimosa pelo vento, teimando em não sair do ar ainda mais tempo, mais tempo, simplesmente.

Alda fez 100. Que vida, Alda! Que vida, querida Vó Alda.

Esta é uma mensagem de gratidão, não só pela história e pelo que fizeste nela no coração da cidade-jardim, mas por ser quem és, uma alegre feiticeira a vagar nas ondas hertizianas, nas brumas de uma vida única entre tantos.

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