Estou há alguns dias querendo trazer algumas linhas pra vocês, amigos. Linhas positivas, refletindo o mundo, nosso comportamento, nossa forma de enxergar as coisas diante das artificialidades que nos cercam. Essas coisas, sabe?

Não, não perdi a minha energia de pensar firmemente que tudo isso, em um breve momento, irá se acabar. A apreensão e o medo são inerentes a nossa natureza, sentimos medo com naturalidade, um medo sufocante e tenso que nos trava e impede de pensar o que escrever, dizer, fazer diante da necessária distância das pessoas.

Muitos de nós, por conta da pandemia, paralisamos projetos, situações por resolver com pessoas próximas, desmarcamos viagens, deixamos de visitar amigos, de dizer “eu te amo” para alguém especial. Está tarde para tudo isso? Não, não está, pois esta crise, como disse, vai passar logo. E não falo em “passar logo” como fim do isolamento, mas com a crença de que vai mesmo passar a tempo de podermos recuperar este tempo que perdemos.

A Covid-19, já dizia em suas linhas brilhantemente Augusto Cury, parece que fez o mundo se dividir e expor suas ignorâncias, mas também nos fez lembrar, de alguma forma, de coisas tão pequenas e simples que eram tratadas como corriqueiras, quando no fundo são tão preciosas e importantes: a liberdade, o ir e vir, um encontro de amigos, o estar com a família, o amor entre dois corações representado em beijo e abraço.

O duro, confesso, é cultivar estas coisas diante do isolamento social que vivemos. A internet está mostrando seu lado mais humano nestes últimos dias, embora seus streamings e servidores estejam pedindo arrego tamanha a necessidade de cada um de se conectar com seus amigos e familiares. Não falo dos influencers que buscam tão somente curtidas e “fiu-fius”, mas almas separadas por uma enchente sem água, como refletiu meu bom amigo Francisco Fresard (Pancho) nas páginas do Santa.

Aliás, esse raciocínio da “enchente sem água” me marcou: como blumenauense que sou, me acostumei com informações constantes e tensas diante das águas que não paravam de subir. Éramos impedidos de sair de casa para não correr o risco nem atrapalhar o resgate, bem como éramos intimamente chamados a sair dela para ajudar e dar nossa mão diante de quem mais precisava.

Agora não, o inimigo não inunda, mas assusta sem ser visto. Não sabemos onde ele está mas sabemos como preveni-lo. Temos todos estes meios em nossas mãos e consciência: ficar em casa, isolar-se sem deixar de existir para quem amamos, as melhores formas – combinadas ao lavar de mãos e outras rotinas – para ajudar num tempo de calamidade como este.

A tensão talvez seja ainda mais pesada quando vemos amigos e inimigos se digladiando na mistura nefasta entre a política e saúde. Somos vítimas do discurso assassino de um dito “piloto de Boeing” enquanto os números continuam a pesar as notícias que eu e tantos jornalistas damos. Busca-se os agrados aos endinheirados e puxa-sacos em detrimento da boa prática para evitar o pior, como se as cifras fossem o mais importante que as cruzes-vermelhas das ambulâncias segundo a visão deturpada dos cegos pelo medo de ter “perdido o voto”.

A eles, coitados… minha pena…, mas voltamos ao que nos realmente importa, a nós mesmos…

Voltando ao raciocínio, eu, assim como alguns amigos aqui do PI, somos jornalistas que estão também na linha de frente, cada um em sua posição – seja mais a frente ou mais atrás das linhas – mas sentindo o mesmo peso das informações (e, infelizmente, das “desinformações”) que chegam até nós. É estressante e duro dar notícias pesadas uma após a outra numa proporção sem precedentes. Em horas, desligar a TV, o rádio, fechar o jornal são as melhores formas que temos de parar, respirar e realimentar nosso psicológico com algo positivo ou distrativo.

Mas que respiremos e buscamos de fato essa dose de positivismo mesmo a quatro paredes. A nós que estamos entrincheirados, mas não vencidos diante de um inimigo menor que um grão de arroz mas capaz de fazer o papa rezar missa a sós pelo mundo, parar os mais famosos pontos turísticos do planeta e nos amedrontar de alguma forma mesmo nas paredes de nossas casas, apenas um pedido: não deixem a peteca cair, não deixem de fazer o certo e acreditar que, logo, vamos nos abraçar outra vez.

Mentir que não estamos em dias pesados é impossível, mas sozinhos jamais deveremos estar. Escrevi essa crônica mais como uma reflexão sem conexão entre parágrafos, apenas para externar e dizer com todo meu coração: perdoe, sorria, diga que ama e que fica em casa. Nós não estamos sós, vamos sair dessa.

A gente se vê logo, prometo!

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