Não poderia dormir sem deixar aqui minha homenagem a uma jornalista que sempre foi inspiração pra mim e que hoje partiu desse mundo! Fui fã da Mari Kalil antes mesmo de escolher essa profissão. Seus textos me fascinavam, me prendiam, me faziam sentir algum tipo de identificação. Talvez porque seguiria os passos dela depois.

Em épocas em que internet não era tão popular como é hoje eu já acompanhava a Mari. Eu era leitora assídua do jornal Zero Hora, mas o que eu mais gostava mesmo era do caderno Donna, onde Mari foi editora chefe por anos. A parte preferida era a editoria “Por aí”, onde a jornalista narrava, sempre com bom humor, os fatos mais corriqueiros do seu dia-a-dia. Seu cachorro Bento era um dos personagens principais e eu achava genial a “discussão” que ela tinha com sua própria consciência! Era uma briga interna divertidíssima!

Mari sabia escrever pra mulheres como ninguém, era um dom, conduzia qualquer assunto com leveza, fazia rir. Em seus livros isso ficava ainda mais evidente.

Passei a adolescência toda sonhando em conhecer a Mari, principalmente depois de ter escolhido ser jornalista também. Aliás, as primeiras crônicas que eu escrevi foram inspiradas no estilo dela, eu pensava: “se um dia escrever pelo menos parecido com ela, já serei uma boa profissional”.  Em 2014 esse dia finalmente chegou. Em uma viagem da faculdade para conhecer o estúdio da RBS e a redação do Zero Hora em Porto Alegre eu realizei o sonho juvenil de conhecê-la. Quase não deu certo, fiz uma saga pra encontrar ela na redação do ZH e quando eu estava quase desistindo, ela vinha chegando para mais um dia de trabalho. Foi um encontro rápido, ela conversou comigo muito gentilmente e tiramos essa foto, falei pra ela como admirava seu trabalho. Pra mim, a viagem valeu só por esse momento.

P.S: Ignorem minha cara de bolacha

Mari tinha apenas 47 anos, lutava contra um melanoma e morreu na manhã desse domingo, 22, em Porto Alegre. Em meio a essa loucura do coronavírus, a notícia demorou pra chegar até mim. É mais uma notícia triste, que nos faz repensar sobre várias coisas, principalmente sobre nossa passagem aqui na terra. Mari com certeza deixou sua contribuição, sempre será lembrada pela sua alegria e originalidade. Descansa em paz, nossa peregrina de araque!      

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