Nas esquinas, nas casas, no trabalho, na escola, no canto silencioso de uma festa, na mata quieta ou nos centros barulhentos. Pessoas vem e vão com suas demandas, suas obrigações diárias em busca de algo, alguma coisa, qualquer coisa, uma vitória profissional, uma nova amizade, uma nova aventura.

Não importa o que se procura ou onde se procura, em um mundo onde cada vez mais relacionar-se é preciso (independente se você tem uma autoestima forte ou não), as verdadeiras relações entre pessoas cada vez mais carecem de um elemento tão básico e simples, embora e tristemente, substituído pelas artificialidades diárias: o amor.

E não digo aqui apenas aquela relação comum entre duas pessoas que geram lindas histórias, esta também entra no bolo que envolve o nosso relacionamento de nós com quem prezamos tanto. E cada dia que passa, o nosso redor parece mais pesado, onde a interpessoalidade é trocada cada vez mais pela artificialidade: o que o lado externo diz, o que as fotos das redes dizem, o que um momento fútil diz e que rotula de vez essa ou aquela pessoa no nosso caminho.

Nós mesmos, especialmente quem preza a fundo essas verdadeiras coisas em falta na prateleira diária, as vezes nos vemos numa sinuca de bico: ou seguimos a manada ou corremos o risco de acabarmos sozinhos numa estrada fria.

Aquela história que tanto rola nas próprias redes de Einstein abominando a falta de interpessoalidade e verdadeiras relações parece cada vez mais real e temerária, especialmente num universo tão negro, permeado da ignorância, egocentrismo e artificialidade das ações.

E onde anda, então, esse “raio” do amor que parece esvanecer-se todo dia numa briga, num fechar fútil ou no fim de um relacionamento? Onde ele fica ou, melhor, onde ele ficou nessa ciranda toda? Os casais não se formam mais pelo que pulsa de verdade dentro de si? Os amigos não existem mais se não houver um interesse oculto? Será que a popularidade sonhada é conquistada apenas em curtidas?

É, meus amigos, a realidade é sombria e dá medo. Mas nesta primeira chegada ao Paraíso do Improviso – onde estarei aqui quinzenalmente destacando algum tema especial entre opiniões, filosofias e reflexões – resolvi chegar propondo que olhemos mais para o nosso redor no dia a dia. Nem sempre o mundo se resume a papeis, celulares e efemeridades. O amor que tanto essa humanidade doente precisa está em nós ainda, e por mais que pareça, não é difícil e nunca foi difícil de usá-lo.

A gente sabe que não está fácil, é pesado, é complicado ser você mesmo diante dos egocentrismos e superficialidades diárias, somando-se a nossa tendência a sermos vingativos quando o semelhante nos ofende ou decepciona. Mas o primeiro passo para suavizar o mundo e cultivar o amor está em nós: pregar o perdão, o sorriso no olhar do lado, desligar o celular da mão e olhar que, em volta, ainda existe um universo de elementos e pessoas que fazem esse mundo ser mais colorido nesse aparente eterno de preto-e-branco dos nossos dias.

Você acha difícil? Ou ainda, você acha que te acusei de ser frio e insensível? A carapuça servindo deve ser usada, mas não ser um item obrigatório. Tirar ela e revolucionar a si mesmo é o primeiro passo. O amor próprio não pode virar egocentrismo, as futilidades e redes sociais não podem ser o determinante nas relações.

Amar, em qualquer parâmetro, é simplesmente liberar a alma, sentir o que há em volta e, acima de tudo, entender que quem está do seu lado, amigo ou crush, é realmente especial por ser ele/ela mesmo(a), seja quem for ou o que for, concordando ou discordando, errando, perdoando ou acertando o passo. O dia fica mais colorido quando olhamos do lado e vimos algo belo, alguém que prezamos ou, ainda mais forte, a pessoa que amamos.

Vamos lá, gente! O raio do amor está em nós. Vamos nos encher do que realmente importa e tentar, sem deixar-se vencer, fazer o amor verdadeiro vencer. Espero vocês daqui há 15 dias aqui no PI pra muito mais, mas essa mensagem primeira, que ela chegue como um abraço aos amigos, um perdão aos ofensores, um “eu te amo” sem medo a quem amo (onde vier).

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